quarta-feira, 9 de julho de 2008

Onde ela vai parar

Cante comigo esse reggae:

Fernanda, por onde que tu andas? (4x)

Foi, eu te vi em Assis, você tava lá
Não faz muito tempo, não

Depois te cruzei no Viaduto do Chá
Tu ia pro banco, então

Fernanda, por onde que tu andas? (4x)

Quando me dei conta, você foi parar
No meio do mar, no meio do Atlântico

Agora é em Natal que você foi morar
Onde será que você vai parar?

Se é que vai...

Fernanda, por onde que tu andas? (4x)




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Recomeço - parte MCLXII

Mas assim como tudo que é ambíguo, complexo e constituído de tramas intrincadas, esse tipo de situação não dura muito, pois não desata. Um nó definitivo é dado, marcando a linha que a vida tece. Restaram poucas bagagens, roupas e um algo mais necessário para seguir.
Contando com a sorte que vem como consolação após a maré forte, consegui também um teto e boa acolhida da vizinhança. Tento administrar os novos planos para que o mais breve possa ter casa organizada e um novo labor. E é assim que se faz?

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

o que aconteceu até aqui

Cheguei em 04 de outubro deixando um cargo público, um amor correspondido, família, os melhores amigos e uma megalópoli para ser garçonete no restaurante de uma pousada em Fernando de Noronha, ilha vulcânica à cerca de 400 Km de Natal, ponto mais próximo no continente.

Nada de mais, principalmente depois de concluir que ainda que eu tenha alcançado o objetivo almejado, outros muitos fatores influem negativamente (também pensei em dizer terrivelmente) na disposição para ficar muito tempo mais, e fazem desse paraíso lugar não tão aprazível.

Passei pelas duas fases já previstas (previsíveis?) de euforonha e neuronha e a conclusão é que "a ilha", essa entidade, é a grande culpada pelas misérias humanas locais; quero dizer, a maioria atribui à ilha um poder que, ao meu ver, somente elas mesmas teriam sobre si. Mas como bem conhecemos os mecanismos de sobrevivência e defesa humanos sabemos que somos totalmente capazes de tal façanha.

Senti que euforonha é a natureza: águas límpidas, animais curiosos e dóceis, sol e chuva, duplo arco-íris, vento no rosto, barulho de passarinhos, saber do mar e das marés, subir morros, pescar num platô de pedras vulcânicas, nadar com tartarugas e golfinhos, abrir o olho na água salgada e ver arraias, sardinhas e os peixes maiores que as perseguem, ver o pôr-do-sol escutando o barulho das ondas cuja bruma é verde como a água do mar, dormir na rede e acordar para um novo dia que promete as mesmas ou mais belezas.

Senti que neuronha é o desafio diário de conviver com a gritante diferença entre as pessoas, esse mesmo que todos enfrentamos em qualquer lugar. Vale dizer que num território tão pequeno, dividindo a maior parte do tempo com praticamente os mesmos indivíduos, as chances de esbarrar naquele espírito de porco que te atormenta são muito, muito maiores. As notícias costumam correr muito rápido e a importância dada aos assuntos mais insignificantes é megalomaníaca.

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Série: "O que eu queria ter dito naquela situação"

Esta série será composta por textos sem contexto, algum dia escritos e estavam no momento, que, talvez, não dêem para serem postados, mas assim... !


O que aprendemos com os últimos acontecimentos:

1) quem faz a fama, invariavelmente, deita na cama, portanto, aos acusados sem culpa, fica a lição;

2) aos que dão uma de joão sem braço e deixam outros levarem a culpa saibam que a justiça tarda, mas não falha;

3) como sempre tudo se dá porque é um hábito pensar, antes, em si mesmo.

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sábado, 24 de maio de 2008

Série "Impressões: Nefastas"

- a moça que ensina artesanato na tv usa um molde pra fazer as peças; desde quando isso passou a ser considerado um ofício manual?

- pessoas que se julgam acima da média fazem jantar à beira da piscina e cortam as flores das plantas em volta para enfeitar a mesa e jogar pelo chão...?! se são tão superiores por que não podem apreciar as flores no pé?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Barabarella No Espaço

Como estou numa forte fase de revisitação dos clássicos vou recomendar enormemente o filme "Barbarella" com a linda jovem Janie Fonda. Trata-se de uma sátira sexual espacial, as aventuras da heroína e superpoderosa terráquea Barbarella em um distante e, por que não?, bizarro planeta. Vale a pena ver a engenhosidade dos produtores e diretores, as atuações totalmente coerentes com a proposta e as impagáveis metáforas sexuais, sendo a minha preferida uma máquina que eu apelidei de "orgasmotron" onde o Dr. Duran Duran prende a protagonista e esta consegue fazê-la "pifar"! Sensacional, confiram, de preferência, sob influência.

domingo, 27 de abril de 2008

aconteceu no alojamento

A novidade da semana no alojamento foi a nova tentativa de conscientização da galera para não deixar a louça suja em cima da pia criando vida.
Acontece que desde que cheguei reclama-se da desorganização dos lugares coletivos da casa. Passei a concordar após poucos dias vendo sempre pela manhã ao ir passar meu café o estado de calamidade, ajudado pelos bichos e falta de acabamento e manutenção do local em si.
Comecei fazendo a minha parte e sempre que tinha disposição dava um trato a mais. Só que lutar uma guerra sozinha cansa e fazer o meu foi o máximo que consegui até agora. Desde que comecei a ser "síndica" (arrecado a grana e faço as compras de produtos de limpeza, gás, e presto contas) também achei que caberia propor um novo jeito de ver as tarefas. Ouvi as pessoas e coloquei no papel alguns pontos como um tratado de boa convivência e sugeri uma divisão mais justa e menos cansativa da limpeza. O resultado foi concluir que as pessoas não têm hábito de leitura e nem interesse em mudanças, coisas novas. Não leram o papel que colei na parede da cozinha e, por exemplo, continuaram a limpar lugares que não precisavam limpar por ser responsabilidade de outros. Claro, tratando-se de adultos o que se espera é que uma conversa que chegue num consenso seja suficiente para esclarecer a importância de pensar minimamente no próximo, mas a dura realidade é que não basta ser adulto tem-se que ser maduro e aí mais uma boa parte da esperança de uma casa melhor acaba de descer pelo ralo. Uma, duas, cinco, quinze conversas e nada. Alguns momentos de desabafo e o azar de pegar alguma moradora na TPM e nada.
Só que neste sábado de folga acordei e avistei pratos e potes espalhados pela varanda da frente. Fui fazer café e tinham mais pela sala e cozinha, lavanderia e varanda lateral, formando um círculo em torno da casa. Tratava-se da louça que no dia anterior eu havia fotografado em cima da pia, pois pretendia colher algumas imagens para mostrar no momento apropriado a quem pudesse fazer outro tipo de frente ao problema. Achei o máximo; quisera eu ter pensado em algo tão original! hahahaaaa
Agora, se vai surtir efeito...só o tempo dirá!

domingo, 20 de abril de 2008

não basta querer

Ainda que eu quisesse um pôr do sol à meia noite, desejasse com todas as minhas forças, isso não aconteceria. Que mania minha de querer as impossibilidades. E se essa, uma certeza aceitável, alto e claro e em bom som de Tom Jobim ou Caymmi ou esse que se gosta mais nesses momentos e interpreta essas palavras em notas que tocam além de qualquer certeza, acalma a bateção de martelos em têmporas. Mas sei de um lugar onde seria possível: um quarto escuro em silêncio profundo que num piscar aproxima a visão do intangível, tão em paz que me permite sonhar de olhos abertos.
Como gosto de dizer, tudo é possível, já que não podemos ver o futuro, o que ainda não aconteceu, e não temos como controlar todos os fatores necessários para que determinado fato ocorra; então, qual o engano? Ter esperança toma tempo.

Crimes e Pecados

Fantástico o filme "Crimes e Pecados" de Woody Allen. Uma das primeiras amostras da genialidade deste cineasta e suas histórias muito bem elaboradas, diálogos e falas simples e profundas e quase sempre com um desfecho hilariante e sarcástico; os tradicionais atores daqueles pouco explorados pela indústria hollywoodiana e talvez por isso mesmo excelentes; terão o prazer de conhecer o prof. louis levy e suas teorias; usa cenas de filmes antigos com histórias iguais a do próprio filme e diz que situações como as encenadas não acontecem na vida real...assista!

terça-feira, 15 de abril de 2008

USE FILTRO SOLAR

O Dr. L'oreal descobriu o filtro solar que bloqueia e absorve os raios ultravioletas antes de serem absorvidos pela pele. Por isso temos que repassar o produto após certo tempo senão a capacidade de absorção fica saturada.

notícia velha

Eu acho que já falei disso, mas amadureci a idéia de que assistir a noticiários de TV não é lá uma coisa realmente útil para as pessoas. Após meses sem contato, estavam lá com a mesma mania de levantar falsas polêmicas, matérias exclusivas que simultaneamente são exibidas em todos os outros telejornais daquele dia, imagens compradas de voyers violadores da privacidade alheia e tendo como único objetivo alertar as pessoas sobre o que elas já sabem: que vivem num mundo absurdo e que está morrendo, que seu país é ridículo, que sua cidade é repleta de babacas e que tudo isso é controlado por um bando de imbecis. Acredito que ninguém precisa ver diariamente diferentes exemplos do que podemos constatar o que o sol de cada manhã nos obriga a vivenciar.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

questão

Gente, o que será que sente um refém? Será que a gente sabe?

...

Eu sinto saudades das coisas boas.

Era uma vez...



Tá, então tem uma ilha onde de uma pista de pouso dou passagem a todos os meus amigos e na cabeça deles a vontade de estar aqui também e a vontade de viver um lugar que chamaríamos de abrigo e cuidaríamos pois nele pisamos e nossos pés nem reclamam dos calos porque não importa. Trabalharíamos uns para os outros como sempre foi, só que seria legal. E não faríamos diferente porque, veja só, pensamos coletivamente num movimento de sentido único que é de pensar em fazer o bem, daí o que vem é consequência do bem. Mais bem, mais bom, mais feliz. Qualquer lândia serviria, só para ter um nome que as crianças achassem incrível. E elas, também felizes, assim cresceriam porque não tem que ser diferente. Muita atenção às crianças, elas sofrem mais por menos, nem pensar em sofrimento, pois há uma boa explicação para os motivos que tenho para chorar. A ilha bóia em água que fura e por que segura? Porque nos cuidamos e nos preocupamos uns com os outros, se vai tudo bem mesmo e não só aquele de cumprimentos autômatos. Se eu perguntar: como está? Você responde: tudo bem, então meu coração bate tranquilo e vou até o final da ilha para voltar e perguntar de novo e se aí tiver uma pedra, eu chuto ela para você não tropeçar. A ilha bóia e não sai do lugar.

Sem Futuro

Tô com uma raiva tão grande de saber que não posso mudar as coisas de como elas são porque essência é essa craca que não desgruda, pior que mula quando empaca. Mas não muda porque a ignorância é inerente, esse não querer saber de nada, nada, nada, só de alguma coisa que não tem nome e que falemos baixo para não acordá-la. Vai se danar, ignorância, e por mais que eu grite, não adianta, a ignorância, ao contrário do que muitos pensam, não é burra, é surda de nascença. Você explica, explica e só recebe um sorriso - daqueles que se dá para disfarçar o desinteresse, reflexo de uma apatia cronificada. Daí tem os que justificam tal comportamento pelo fator "falta de oportunidade, de acesso ao saber". Mas para saber não é preciso diploma, é preciso vontade e quem a tem e se interessa, presta atenção, e se fica com dúvida, pergunta.
Querer inocentar a ignorância pela falta de acesso é fazer vista grossa e subestimar a capacidade de interesse. Meu pai não é engenheiro como meu irmão, mas ao contrário desse, foi capaz de construir uma réplica em menor escala de uma casa em madeira somente olhando por alguns minutos o trabalho de um artesão que conheceu.
Ignorar é a ação praticada pelo homem que está levando à destruição de seu habitat, à morte de sua cultura e, portanto, ao encurtamento do seu futuro.