Enfim, estou de volta com o compromisso de não mais me afastar deste espaço. Por que isto aconteceu? Realmente não importa. É um novo ciclo que aqui se reinicia, novos parâmetros, novas experiências, novos assuntos, mas o mesmo bom humor, com a promessa de vir acompanhado de muito cinismo e uma chatice cronificada, fruto da vivência inescapável deste mundo de injustiças, onde nada se explica e tudo se vai "fazendo nas coxas".
Compromissos que assumo comigo mesma para manter este blog na ativa:
1. Renovar os posts ao menos semanalmente, salvo ocasiões em que, por motivo de força maior, isto realmente seja impossível, levando-se em conta que eu não possuo computador pessoal com acesso à internet e, como faço os posts do meu trabalho, pode ser que o mesmo sofra censuras, bloqueios ou suspensões;
2. Não me responsabilizo pela nível de chatice que poderei alcançar em minhas publicações, bem como pelos sarcasmos, ironias e injúrias. Se a carapuça servir, não tenho nada em haver com isso.
3. Grandes verdades poderão ser apenas belas mentiras.
4. Pequenas mentiras poderão ser imensas verdades.
5. Utilizar-me-ei do português de Saramago, ou seja, aquele que nos ensinaram e não aquele que inventamos no dia a dia*.
6. Estes compromissos não sofrerão alterações e poderão ser acrescidos conforme necessidade e/ou vontade da autora.**
* Caso detectem algum erro, favor informar-me. Corrigi-lo é aprender com ele, burrice é insistir no erro.
Erros de digitação não são, necessariamente, erros de português, mas, com certeza, é falta de atenção, e serão desfeitos a qualquer momento.
** Lembrem-se que estes compromissos estão sendo assumidos por mim para comigo mesma, então não venham cobrar nenhum tipo de postura.
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
quinta-feira, 4 de maio de 2006
Ai que saudades desse cantinho....
Essa menininha continua aí com o dedinho na tela, na eminëncia de um desenho ou escrito, quando vamos saber? Não dá para adivinhar o pensamento das pessoas, é uma pena. Talvez com isso evitaríamos muitas decepções, desilusões e frustrações.
O que nos resta é continuar no mistério da imprevisibilidade das ações humanas e contar apenas com o nosso sexto sentido ou "desconfiömetro" como alguns preferem chamar. Não despreze esta capacidade, pois ela pode te privar ou salvar de alguns encontros ou de situações indesejáveis.
Siga o seu instinto, encare a vida e vá à luta!!
Essa menininha continua aí com o dedinho na tela, na eminëncia de um desenho ou escrito, quando vamos saber? Não dá para adivinhar o pensamento das pessoas, é uma pena. Talvez com isso evitaríamos muitas decepções, desilusões e frustrações.
O que nos resta é continuar no mistério da imprevisibilidade das ações humanas e contar apenas com o nosso sexto sentido ou "desconfiömetro" como alguns preferem chamar. Não despreze esta capacidade, pois ela pode te privar ou salvar de alguns encontros ou de situações indesejáveis.
Siga o seu instinto, encare a vida e vá à luta!!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005
Incrivelmente, nestes últimos tempos, tenho feito meu almoço mais ou menos no mesmo horário. O que isto tem de incrível talvez não seja muito importante para algumas pessoas, mas acho bom estabelecer uma rotina quando se trata de alimentação. Agora, o que é realmente inacreditável é o grande monte de besteiras que os comentaristas falam nos programas de esportes veiculados na TV, muitos, justamente, na hora do meu almoço (lembrando que aqui no Brasil esporte resumi-se a futebol). Deixando de lado o fato desses programas ignorarem completamente as agendas de campeonatos de outras modalidades esportivas e depois, em época de eventos como as Olimpíadas, versarem seus discursos de verdade sobre o descaso do governo e empresas patrocinadoras em apoiar outras categorias, acredito serem esses senhores uns dos principais responsáveis pela imagem de fracasso que temos do futebol brasileiro.
O que concluí após algumas horas passadas em frente à televisão deglutindo o pão de cada dia e assistindo aos diferentes programas transmitidos no horário é que estes comentaristas têm uma forte tendência a criticar, julgar e, praticamente, crucificar jogadores por seus atos, principalmente aqueles cometidos fora de campo, como se não fossem esses simples seres humanos levando suas vidas, tropeçando em seus erros ou sofrendo as conseqüências de suas fraquezas. Ocorre-me agora o exemplo do jogador Edmundo, que cometia barbaridades tanto fora quanto dentro de campo, mas em nenhum momento ouvi algum comentário que problematizasse a situação e buscasse entender as razões desse jogador ser tão violento. Psicólogo do esporte naquele tempo ainda não tinha virado moda!
Além disso, esses senhores também tendem a comparar os jogadores do século XXI com aqueles que jogavam lá no século passado, a mais de quarenta ou cinqüenta anos atrás. Assim como os comentaristas, os senhores dirigentes do atual futebol ainda vivem no século passado e atravancam o desenvolvimento do esporte. Vemos vários outros esportes se aprimorando, remodelando regras, readaptando equipamentos, utilizando as benesses da tecnologia, tudo para tornar o esporte mais competitivo e mais atraente para os espectadores, e sem, é claro, tirar as características que tornaram a modalidade conhecida e disputada.
O futebol parou no tempo porque quem não consegue se adaptar a mudanças são aqueles que o dirigem. O futebol foi capitalizado e agora resumi-se a gerar grandes montantes de dinheiro a escuderias internacionais. Virou sonho de meninos pobres para mudar de vida e que se vendem em peneiras ilegais organizadas por estrangeiros que prometem grandes chances no exterior e quando lá chegam, totalmente despreparados para mudanças culturais tão radicais, passam a rezar pela volta. Rezam porque o dinheiro prometido muitas vezes não aparece.
Não adianta lamentar a falta de amor à camisa, os contratos milionários que carregam os craques para fora do país, os campos esburacados, as jogadas violentas, enfim, não adianta lamentar a morte do futebol arte. O futebol está encostado no paredão, com uma arma na cabeça e seu último pedido é por mudança.
O que concluí após algumas horas passadas em frente à televisão deglutindo o pão de cada dia e assistindo aos diferentes programas transmitidos no horário é que estes comentaristas têm uma forte tendência a criticar, julgar e, praticamente, crucificar jogadores por seus atos, principalmente aqueles cometidos fora de campo, como se não fossem esses simples seres humanos levando suas vidas, tropeçando em seus erros ou sofrendo as conseqüências de suas fraquezas. Ocorre-me agora o exemplo do jogador Edmundo, que cometia barbaridades tanto fora quanto dentro de campo, mas em nenhum momento ouvi algum comentário que problematizasse a situação e buscasse entender as razões desse jogador ser tão violento. Psicólogo do esporte naquele tempo ainda não tinha virado moda!
Além disso, esses senhores também tendem a comparar os jogadores do século XXI com aqueles que jogavam lá no século passado, a mais de quarenta ou cinqüenta anos atrás. Assim como os comentaristas, os senhores dirigentes do atual futebol ainda vivem no século passado e atravancam o desenvolvimento do esporte. Vemos vários outros esportes se aprimorando, remodelando regras, readaptando equipamentos, utilizando as benesses da tecnologia, tudo para tornar o esporte mais competitivo e mais atraente para os espectadores, e sem, é claro, tirar as características que tornaram a modalidade conhecida e disputada.
O futebol parou no tempo porque quem não consegue se adaptar a mudanças são aqueles que o dirigem. O futebol foi capitalizado e agora resumi-se a gerar grandes montantes de dinheiro a escuderias internacionais. Virou sonho de meninos pobres para mudar de vida e que se vendem em peneiras ilegais organizadas por estrangeiros que prometem grandes chances no exterior e quando lá chegam, totalmente despreparados para mudanças culturais tão radicais, passam a rezar pela volta. Rezam porque o dinheiro prometido muitas vezes não aparece.
Não adianta lamentar a falta de amor à camisa, os contratos milionários que carregam os craques para fora do país, os campos esburacados, as jogadas violentas, enfim, não adianta lamentar a morte do futebol arte. O futebol está encostado no paredão, com uma arma na cabeça e seu último pedido é por mudança.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
A dificuldade em escrever alguma coisa, desenvolver alguma idéia nesses últimos tempos, só pode ser reflexo dessa sensação de incerteza e vazio que assola o meu viver.
Não sei se já comentei, mas estou de volta à condição de desempregada e, para ser franca, nem sei bem por que ou como isso aconteceu. Claro, tentei buscar razões, refiz caminhos, falei com pessoas, busquei em suas histórias algo em comum com a minha e... não é que eu encontrei.
Quando este tipo de coisa acontece, você pensa: por que eu não soube disso antes? Mas este é mesmo o curso das coisas e, como me disse uma amiga num desses encontros ao acaso, numa longa madrugada de conversa, as mudanças vão acontecendo e você só percebe a transformação depois mesmo que ela se completa. E foi só depois que tudo se deu que eu pude parar e pensar: quando você está submetida e subordinada a pessoas que utilizam de forma leviana o “poder” que têm sobre você, com aquela certeza estúpida de sempre ter razão em tudo, o que a lógica dessas pessoas espera é que seus subalternos se resignem, pois afinal, eles podem ditar sobre seu destino, se você continua ou se você pára. Sua voz só é ouvida se trouxer melhorias e se essas melhorias puderem ser convertidas, a curto prazo, em ganho capital.
Mas eu já sabia que isso acontecia. Sabe, naquilo que vi escrito nos livros, no que vi noticiado nos jornais e até mesmo na história de algum infeliz, à qual não dei muita importância.
E o poder exercido pode ser assim traduzido: eu pago pelo seu silêncio, eu pago pelo meu conforto de não querer ouvir suas reivindicações e, com esse gesto, reforço aos demais qual seu lugar e que lá devem ficar.
E assim mesmo não compreendo, quer dizer, não basta fazer as coisas do jeito certo, ter um bom desempenho, não desarmonizar o ambiente. Além disso, ou talvez mais importante que isso, é desejável que não alimente nenhuma ideologia.
Não dá para ter ideologia, nem mesmo a de não se deixar ser enganada. Afinal, não podemos se orgulhosos à esse ponto, não é? Bem, agora, meu caminho foi desvirtuado pelas mãos ludibriantes do lobo em pele de cordeiro, meus planos foram desfeitos, conquistas tornaram-se dúvidas...
E sentindo como se mais uma vez a dura realidade desses tempos me puxasse para dentro de suas entranhas, voltei, desta forma, ao limbo, como uma alma sem rumo, desorientada.
Ademais, me pergunto: quanto tempo vive uma vida de esperanças quando as certezas se recolhem às mãos dos porcos chovinistas?
Não sei se já comentei, mas estou de volta à condição de desempregada e, para ser franca, nem sei bem por que ou como isso aconteceu. Claro, tentei buscar razões, refiz caminhos, falei com pessoas, busquei em suas histórias algo em comum com a minha e... não é que eu encontrei.
Quando este tipo de coisa acontece, você pensa: por que eu não soube disso antes? Mas este é mesmo o curso das coisas e, como me disse uma amiga num desses encontros ao acaso, numa longa madrugada de conversa, as mudanças vão acontecendo e você só percebe a transformação depois mesmo que ela se completa. E foi só depois que tudo se deu que eu pude parar e pensar: quando você está submetida e subordinada a pessoas que utilizam de forma leviana o “poder” que têm sobre você, com aquela certeza estúpida de sempre ter razão em tudo, o que a lógica dessas pessoas espera é que seus subalternos se resignem, pois afinal, eles podem ditar sobre seu destino, se você continua ou se você pára. Sua voz só é ouvida se trouxer melhorias e se essas melhorias puderem ser convertidas, a curto prazo, em ganho capital.
Mas eu já sabia que isso acontecia. Sabe, naquilo que vi escrito nos livros, no que vi noticiado nos jornais e até mesmo na história de algum infeliz, à qual não dei muita importância.
E o poder exercido pode ser assim traduzido: eu pago pelo seu silêncio, eu pago pelo meu conforto de não querer ouvir suas reivindicações e, com esse gesto, reforço aos demais qual seu lugar e que lá devem ficar.
E assim mesmo não compreendo, quer dizer, não basta fazer as coisas do jeito certo, ter um bom desempenho, não desarmonizar o ambiente. Além disso, ou talvez mais importante que isso, é desejável que não alimente nenhuma ideologia.
Não dá para ter ideologia, nem mesmo a de não se deixar ser enganada. Afinal, não podemos se orgulhosos à esse ponto, não é? Bem, agora, meu caminho foi desvirtuado pelas mãos ludibriantes do lobo em pele de cordeiro, meus planos foram desfeitos, conquistas tornaram-se dúvidas...
E sentindo como se mais uma vez a dura realidade desses tempos me puxasse para dentro de suas entranhas, voltei, desta forma, ao limbo, como uma alma sem rumo, desorientada.
Ademais, me pergunto: quanto tempo vive uma vida de esperanças quando as certezas se recolhem às mãos dos porcos chovinistas?
Eu nasci, não a 10.000 anos atrás, mas a 24, com um pé e meio nos 25, cifra que jamais pensei alcançar, ao contrário dos 65 que hoje, com o Estatuto do Idoso garantindo alguns benefícios interessantes, gostaria de poder desfrutar, fazer valer os meus direitos. Mas não é disso que se trata esse post.
Enquanto o meu relógio continuar correndo, e espero sinceramente que tenham dado bastante corda nele antes disso tudo começar, cabe a mim continuar tentando fazer desse espaço entre o começo e o fim algo que valha a pena, para ter muito o que contar quando me for dada a alta celestial (*).
Espero chegar lá depois que a cerveja estiver gelada, a caipirinha preparada, a carne salgada e já queimando na churrasqueira. Seria bom se não fosse tão improvável quanto a idéia implícita de haver "vida" após a morte.
Quem viver, morrerá. E só quem já morreu poderia dizer como isso acontece, mas parece que eles preferem deixar a gente na curiosidade, afinal eles também tiveram que esperar a sua vez para saber.
O que morto está, remediar não adianta. Só quem vivo é pode desejar assim continuar...
(*) Fonte: da sabedoria popular da mãe de uma amiga
Enquanto o meu relógio continuar correndo, e espero sinceramente que tenham dado bastante corda nele antes disso tudo começar, cabe a mim continuar tentando fazer desse espaço entre o começo e o fim algo que valha a pena, para ter muito o que contar quando me for dada a alta celestial (*).
Espero chegar lá depois que a cerveja estiver gelada, a caipirinha preparada, a carne salgada e já queimando na churrasqueira. Seria bom se não fosse tão improvável quanto a idéia implícita de haver "vida" após a morte.
Quem viver, morrerá. E só quem já morreu poderia dizer como isso acontece, mas parece que eles preferem deixar a gente na curiosidade, afinal eles também tiveram que esperar a sua vez para saber.
O que morto está, remediar não adianta. Só quem vivo é pode desejar assim continuar...
(*) Fonte: da sabedoria popular da mãe de uma amiga
terça-feira, 4 de janeiro de 2005
Há três dias a cidade chora como se lhe tivesse sido arrancado algo fundamental. E não há mais como recuperá-lo.
Há tempos não verto lágrimas por nenhuma razão. O choro ou tristeza deu lugar a uma raiva descabida, que esquenta as meninges de tanto que me esforço para conter esse ódio que pulula no peito e enche as veias de sangue quente, até as pontas dos dedos. É o momento exato em que as mãos se fecham e te dá aquela vontade de socar, esmurrar a primeira coisa que estiver na frente, seja ela inanimada ou então o nariz do primeiro infeliz que te dirigir a palavra.
Mas não; apesar de sentir minhas células se multiplicando desenfreadamente de tanta agonia por ter que conter tal fúria, por não poder disparar nem sequer umas míseras seqüências de potenciais de ação, devo conter este sentimento que faz tão parte de nós quanto qualquer outro, mas que a sociedade varreu para a gaveta das coisas indesejáveis no modo de ser humano.
Apesar de ser incontestavelmente a favor do diálogo, reconheço que em algumas situações, sair na porrada parece ser a melhor atitude a ser tomada, menos por achar que isso dará uma lição em alguém, mas mais para descarregar, ou melhor, dar vazão ao ímpeto de destruição que atropela qualquer senso de razão.
Vejam, neste momento estou aqui tentando reverter meus impulsos para o papel, queimando alguns neurônios me preocupando com acentuação e pontuação, gramática e conjugação, fazendo aquilo que tenta tornar cada vez mais distante o nosso lado animal: estou eu aqui sublimando, fazendo força para manter meu lado humano com o mínimo de dignidade e resignação, tolerância e paciência.
E quando nada mais funcionar...?
Há tempos não verto lágrimas por nenhuma razão. O choro ou tristeza deu lugar a uma raiva descabida, que esquenta as meninges de tanto que me esforço para conter esse ódio que pulula no peito e enche as veias de sangue quente, até as pontas dos dedos. É o momento exato em que as mãos se fecham e te dá aquela vontade de socar, esmurrar a primeira coisa que estiver na frente, seja ela inanimada ou então o nariz do primeiro infeliz que te dirigir a palavra.
Mas não; apesar de sentir minhas células se multiplicando desenfreadamente de tanta agonia por ter que conter tal fúria, por não poder disparar nem sequer umas míseras seqüências de potenciais de ação, devo conter este sentimento que faz tão parte de nós quanto qualquer outro, mas que a sociedade varreu para a gaveta das coisas indesejáveis no modo de ser humano.
Apesar de ser incontestavelmente a favor do diálogo, reconheço que em algumas situações, sair na porrada parece ser a melhor atitude a ser tomada, menos por achar que isso dará uma lição em alguém, mas mais para descarregar, ou melhor, dar vazão ao ímpeto de destruição que atropela qualquer senso de razão.
Vejam, neste momento estou aqui tentando reverter meus impulsos para o papel, queimando alguns neurônios me preocupando com acentuação e pontuação, gramática e conjugação, fazendo aquilo que tenta tornar cada vez mais distante o nosso lado animal: estou eu aqui sublimando, fazendo força para manter meu lado humano com o mínimo de dignidade e resignação, tolerância e paciência.
E quando nada mais funcionar...?
Mais um tapa na cara da realidade que levo nesta penúltima semana do mês de Outubro.
Durante um dos momentos da minha atividade laboral, que tinha por finalidade a produção de Raviólis de Queijo, o meu companheiro mais jovem da produção começa a relatar a "particular" atividade desenvolvida por um de seus amigos.
O tal rapaz possui uma chave que abre orelhões. Só com essa informação já é possível, logo de saída, pensar numa sacanagem bem interessante a se fazer, não é? Pois é, o que exatamente este cidadão fazia era abrir o aparelho e quebrar uma trava que faz com que os cartões caiam dentro do telefone. Depois, a pessoinha passava no caminho de volta recolhendo os cartões engolidos e os vendia na faculdade a preço reduzido e ganhava, assim, o dinheiro para o seu lanche. Não é engenhoso o criminoso? he...
A minha indignação fica menos por conta do espírito de porco deste garoto e mais por ter tido que ouvir as justificativas que meu companheiro de trabalho me dava para convencer-me de que seu amigo não estava cometendo uma grandessíssima sacanagem. Coisas do tipo: "ah, a pessoa que foi telefonar é que é burra, porque ela empurra tanto o cartão...", ...mas é para ele comprar o lanche... (como se as pessoas tivessem alguma coisa a ver com a larica do rapaz!)", e uma seqüência fabulosa de razões incoerentes colocadas de maneira tão naturalmente impensada que me fez perguntá-lo: Você está falando sério, você está só dando uma de teimoso, né?". E a resposta foi não, tão sincera quanto suas próprias razões em considerar uma barbaridade dessas algo normal, eu diria até, exemplar.
Essas situações me fazem pensar, até onde chegamos, e o que pode ser pior, até onde iremos chegar? Sinceramente: eu não quero estar aqui para ver.
Durante um dos momentos da minha atividade laboral, que tinha por finalidade a produção de Raviólis de Queijo, o meu companheiro mais jovem da produção começa a relatar a "particular" atividade desenvolvida por um de seus amigos.
O tal rapaz possui uma chave que abre orelhões. Só com essa informação já é possível, logo de saída, pensar numa sacanagem bem interessante a se fazer, não é? Pois é, o que exatamente este cidadão fazia era abrir o aparelho e quebrar uma trava que faz com que os cartões caiam dentro do telefone. Depois, a pessoinha passava no caminho de volta recolhendo os cartões engolidos e os vendia na faculdade a preço reduzido e ganhava, assim, o dinheiro para o seu lanche. Não é engenhoso o criminoso? he...
A minha indignação fica menos por conta do espírito de porco deste garoto e mais por ter tido que ouvir as justificativas que meu companheiro de trabalho me dava para convencer-me de que seu amigo não estava cometendo uma grandessíssima sacanagem. Coisas do tipo: "ah, a pessoa que foi telefonar é que é burra, porque ela empurra tanto o cartão...", ...mas é para ele comprar o lanche... (como se as pessoas tivessem alguma coisa a ver com a larica do rapaz!)", e uma seqüência fabulosa de razões incoerentes colocadas de maneira tão naturalmente impensada que me fez perguntá-lo: Você está falando sério, você está só dando uma de teimoso, né?". E a resposta foi não, tão sincera quanto suas próprias razões em considerar uma barbaridade dessas algo normal, eu diria até, exemplar.
Essas situações me fazem pensar, até onde chegamos, e o que pode ser pior, até onde iremos chegar? Sinceramente: eu não quero estar aqui para ver.
"Deixar que os fatos sejam fatos naturalmente, sem que sejam forjados para acontecer
Deixar que os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente
Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos
Para lhe servir quando for preciso sem lhe causar danos, sejam eles morais, físicos ou psicológicos."
Chico Science & Nação Zumbi – Corpo de Lama
Deixar que os olhos vejam os pequenos detalhes lentamente
Deixar que as coisas que lhe circundam estejam sempre inertes, como móveis inofensivos
Para lhe servir quando for preciso sem lhe causar danos, sejam eles morais, físicos ou psicológicos."
Chico Science & Nação Zumbi – Corpo de Lama
Não sei se já comentei da relação de amor e ódio que sinto pelas telenovelas. Restrinjo-me aqui àquelas exibidas pela Rede Globo. Bem, dos males o menor, né, ou, tecnicamente falando, redução de danos.
As coisas que me fazem considerar gastar importantes horas da minha vida sentada na frente de um eletrodoméstico para ver novela alguma coisa que valha a pena, para dizer a verdade, não vêem acontecendo. Boas histórias, sendo desenvolvidas sem o uso de clichês e sem, o que parece impossível, estereótipos; atores de atuação verdadeira, dando ao personagem um frescor, uma espontaneidade, que realmente te passam a ilusão de estar participando da história, assim como acontece quando lemos um livro e vivemos com o herói todas as suas emoções; ausência de propagandas, que fazem o autor dar malabarismos e inventar situações totalmente despropositadas só para mostrar um maldito produto de alguma marca que fica recebendo falsos elogios dos personagens; casais com juras de amor piegas, frases feitas, nada de belas conquistas, troca de olhares, rostos ruborizados, inocência e paixão misturadas, muito mão naquilo, aquilo na mão, corpos e rostinhos bonitos mais valorizados que qualquer sentimento...
Reflexo do mundo medíocre em que vivemos, as novelas vendem sonhos que a grande maioria das pessoas não podem comprar e veiculam ideais e estilos de vida que nossas diferenças de classe social não nos permitem compartilhar. As novelas mostram nossas desigualdades quando divide seu elenco em núcleos: o rico, o pobre e a nebulosa, porém não menos importante, classe média. Em cada um brinca-se de bem e mal, cada um em seu lugar, à sua maneira, ou como a sua condição o permite ser.
As novelas são exatamente o que elas foram criadas para ser: uma projeção dos nossos tempos, dos nossos jeitos, das nossas opiniões; um duro retrato animado de cada uma das nossas mil faces.
As coisas que me fazem considerar gastar importantes horas da minha vida sentada na frente de um eletrodoméstico para ver novela alguma coisa que valha a pena, para dizer a verdade, não vêem acontecendo. Boas histórias, sendo desenvolvidas sem o uso de clichês e sem, o que parece impossível, estereótipos; atores de atuação verdadeira, dando ao personagem um frescor, uma espontaneidade, que realmente te passam a ilusão de estar participando da história, assim como acontece quando lemos um livro e vivemos com o herói todas as suas emoções; ausência de propagandas, que fazem o autor dar malabarismos e inventar situações totalmente despropositadas só para mostrar um maldito produto de alguma marca que fica recebendo falsos elogios dos personagens; casais com juras de amor piegas, frases feitas, nada de belas conquistas, troca de olhares, rostos ruborizados, inocência e paixão misturadas, muito mão naquilo, aquilo na mão, corpos e rostinhos bonitos mais valorizados que qualquer sentimento...
Reflexo do mundo medíocre em que vivemos, as novelas vendem sonhos que a grande maioria das pessoas não podem comprar e veiculam ideais e estilos de vida que nossas diferenças de classe social não nos permitem compartilhar. As novelas mostram nossas desigualdades quando divide seu elenco em núcleos: o rico, o pobre e a nebulosa, porém não menos importante, classe média. Em cada um brinca-se de bem e mal, cada um em seu lugar, à sua maneira, ou como a sua condição o permite ser.
As novelas são exatamente o que elas foram criadas para ser: uma projeção dos nossos tempos, dos nossos jeitos, das nossas opiniões; um duro retrato animado de cada uma das nossas mil faces.
quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Contam as más línguas da vizinhança que Ana Carolina jamais poderá ser mãe. Solteira aos 42 anos é uma condição que ninguém na vila sonha para si, nem moças nem rapazer; e talvez seja por isso que a satisfação de Ana Carolina com sua vida seja sentida como incômodo por seus vizinhos.Ela não carrega "status", não é bem sucedida, não tem bens em seu nome, nunca foi casada e nem sequer namorou, não tem parentes próximos, não carrega amuletos, aliás, não tem superstições.Também não sabe nadar, não joga na loteria e não come miolo de pão. Ana Carolina não sabe tocar nenhum instrumento musical, não toma refrigerante, não reza antes das refeições e nem antes de dormir. Ela não.Ana Carolina é uma negação.E como Ana Carolina nunca havia falado com ninguém, nunguém lhe perguntou se ela queria ter um filho.Todos se negaram a perguntar. A dar uma resposta... a isto Ana Carolina jamais se negaria.
Uma coisa é certa: o mundo dá voltas, mas nunca sai dos trilhos.
Como olhar para a vida, para trás e não achar que, apesar de tudo, de tantas voltas e reviravoltas, no fim tudo dá certo?
Por enquanto posso dizer isso, que nenhuma lombada nem sinal de contramão conseguiu me desviar do meu caminho.
Não vou aqui falar de destino, pois não acredito em vida passiva, em vida pronta antes de ser vivida. Até porque, refazendo o caminhar, sei muito bem dizer como cheguei até aqui, todas as pontes estreitas e poças de lama que tive que atravessar.
Algumas coisas são possíveis de se concluir: 1) prioridades mudam; 2) oportunidades existem, mas não vem marcada com um X no mapa; 3) não há nada que você não possa fazer; 4) o bom senso é o melhor referencial; 5) o que é bom para você é bom para você; 6) quem sabe o que é bom para você é você.
Com medo, cansada, pensative e, às vezes, descompensada, mas feliz por estar de pé, sigo andando.
"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
E só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei."
Renato Teixeira - Tocando em frente
Como olhar para a vida, para trás e não achar que, apesar de tudo, de tantas voltas e reviravoltas, no fim tudo dá certo?
Por enquanto posso dizer isso, que nenhuma lombada nem sinal de contramão conseguiu me desviar do meu caminho.
Não vou aqui falar de destino, pois não acredito em vida passiva, em vida pronta antes de ser vivida. Até porque, refazendo o caminhar, sei muito bem dizer como cheguei até aqui, todas as pontes estreitas e poças de lama que tive que atravessar.
Algumas coisas são possíveis de se concluir: 1) prioridades mudam; 2) oportunidades existem, mas não vem marcada com um X no mapa; 3) não há nada que você não possa fazer; 4) o bom senso é o melhor referencial; 5) o que é bom para você é bom para você; 6) quem sabe o que é bom para você é você.
Com medo, cansada, pensative e, às vezes, descompensada, mas feliz por estar de pé, sigo andando.
"Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
E só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei."
Renato Teixeira - Tocando em frente
E as horas se esvaem, gota a gota, como uma torneira mal fechada pela mão desatenta que, descuidada, desperdiça incontáveis e preciosos instantes.
E há quem passe por ela e ignore esta perda irreparável, pois, assim como a água é um fenômeno finito e para cada gota que dela desperdiçamos não há volta, a vida, instante a instante se faz passageira. Mas não em vão, pois a cada gota nos pergunta: e agora? E a escolha é toda nossa.
Cada instante de vida resumi-se a ser o que é, buscando o futuro para ser presente e, humildemente, torna-se passado para dar lugar a um novo instante.
E o que lhe dá um colorido é que em meio a esta efêmera passagem cabem sonhos de qualquer tamanho.
E há quem passe por ela e ignore esta perda irreparável, pois, assim como a água é um fenômeno finito e para cada gota que dela desperdiçamos não há volta, a vida, instante a instante se faz passageira. Mas não em vão, pois a cada gota nos pergunta: e agora? E a escolha é toda nossa.
Cada instante de vida resumi-se a ser o que é, buscando o futuro para ser presente e, humildemente, torna-se passado para dar lugar a um novo instante.
E o que lhe dá um colorido é que em meio a esta efêmera passagem cabem sonhos de qualquer tamanho.
quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Aos que possam estar se perguntando o que diabos aconteceu com Frida que deixou cair tão bruscamente sua produção, saibam que ingressei numa viagem de tempo indeterminado a uma ilha circunscrita por um território chamado Pinheiros/SP. Esta ilha de habitantes essencialmente cosmopolitas, respira ares italianos e neles se inspira para produzir, ou melhor, reproduzir as maravilhas de sua cozinha.
Esta nova, improvável, impensada, embasbacante e estranhamente boa experiência está já há mais de dois meses transcorrendo no mais alto grau de surrealismo.
Ao adentrar tal ilha, tive um encontro inesperado com a realidade, mais precisamente aquela compartilhada por aqueles que leram apenas as primeiras linhas do livro "Informações básicas para entender algumas coisas do mundo e da humanidade que não são contadas na novela das oito".
E do contato com estes seres humanos, algumas perguntas passaram a martelar minha cabeça: 1) O que eu estou fazendo aqui?; 2) O que estas pessoas estão fazendo aqui?; 3) Sério que você pensa assim?; 4) Molho arrabiata vai tomate em lata ou fresco ou os dois?; 5) De onde vem toda essa raiva?; 6) Por quê?; 7) Onde isso vai parar?...
Respostas para tais perguntas ainda estão difíceis de serem encontradas; só mesmo uma boa análise antropológica poderá decifrar e explicar todos os meandros que envolvem a louca dinâmica desta ilha.É, estamos precisando de uma análise institucional... e, sobretudo, humana.
Esta nova, improvável, impensada, embasbacante e estranhamente boa experiência está já há mais de dois meses transcorrendo no mais alto grau de surrealismo.
Ao adentrar tal ilha, tive um encontro inesperado com a realidade, mais precisamente aquela compartilhada por aqueles que leram apenas as primeiras linhas do livro "Informações básicas para entender algumas coisas do mundo e da humanidade que não são contadas na novela das oito".
E do contato com estes seres humanos, algumas perguntas passaram a martelar minha cabeça: 1) O que eu estou fazendo aqui?; 2) O que estas pessoas estão fazendo aqui?; 3) Sério que você pensa assim?; 4) Molho arrabiata vai tomate em lata ou fresco ou os dois?; 5) De onde vem toda essa raiva?; 6) Por quê?; 7) Onde isso vai parar?...
Respostas para tais perguntas ainda estão difíceis de serem encontradas; só mesmo uma boa análise antropológica poderá decifrar e explicar todos os meandros que envolvem a louca dinâmica desta ilha.É, estamos precisando de uma análise institucional... e, sobretudo, humana.
segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Foi assim, após tempestuosos momentos, sentindo todo o peso de um enorme vazio em minhas costas que, de repente tudo mudou. Tudo vai mudar.Agora vou, aos poucos, dando adeus às sessões da tarde, à reprises de filmes dos anos 80 que a despeito da qualidade não deixei de asistir pela 27º vez; será que haverá saudades das incontáveis horas em frente à tela e toda sensação de poder que só o controle remoto pode trazer; pipoca de microondas que não deixa panela suja para ter que lavar depois; 12h30, a habitual hora de despertar; idas e vinda à geladeira ou à dispensa com a agradável certeza de que haverá algo interessante a ser consumido, comido ou bebido, mas se por algumas vezes não se concretizou alguma escolha, ao menos restaram os instantes em frente à geladeira com a porta aberta, gesto estranhamente repetido, por várias mesmo sabendo-se da falta de opções. Quem explica este estranho prazer?
E quem explica querer largar todos os benifícos do ócio para passar a dar duro, suar a camisa no emprego de energia numa atividade laboral?
Em se tratando do vazio já cronificado dos meus bolsos, empregar energia em troca de capital será como encontrar o remédio certo para uma doença muito específica e crônica, que há tempos (uma vida) vinha engessando qualquer tentativa e/ou possibilidade de expansão e participação do nosso moderno mundo moderno.Já em se tratando do vazio existencial, essa oportunidade servirá, principalmente, para ocupar a cabeça, reduzindo as chances de quaisquer questionamentos advirem das profundezas da minha mente insana que, ultimamente, desafiaria até o mais conceituado dos analistas. Ou não.
Enfim, que venham as mudanças, que o vazio se anule, que as profundezas se preencham, que algo se instale e reanime os sonhos.
E a história continua....
E quem explica querer largar todos os benifícos do ócio para passar a dar duro, suar a camisa no emprego de energia numa atividade laboral?
Em se tratando do vazio já cronificado dos meus bolsos, empregar energia em troca de capital será como encontrar o remédio certo para uma doença muito específica e crônica, que há tempos (uma vida) vinha engessando qualquer tentativa e/ou possibilidade de expansão e participação do nosso moderno mundo moderno.Já em se tratando do vazio existencial, essa oportunidade servirá, principalmente, para ocupar a cabeça, reduzindo as chances de quaisquer questionamentos advirem das profundezas da minha mente insana que, ultimamente, desafiaria até o mais conceituado dos analistas. Ou não.
Enfim, que venham as mudanças, que o vazio se anule, que as profundezas se preencham, que algo se instale e reanime os sonhos.
E a história continua....
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