quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Cada um, cada um...

E não é que exatamente agora quando resolvo postar algo, já vi que existem opiniões totalmente contrárias às minhas antes mesmo de começar!
Dei uma passadinha pelas Memórias do Subsolo de uma amiga e lá estava ela concordando com o seu amigo sobre seus sentimentos em relação ao teatro. Eu a adoro, mas como nós discordamos de algumas coisas, nossa, é incrível... e engraçado...
Eu ia justamente falar da ótima e hilária peça que fui assistir ontem, "A casa dos budas ditosos", monólogo com a Fernanda Torres, baseado no livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro. O livro é demais, uma história escrabosa de uma bahiana de 68 anos narrando sua vida de devassidão e luxúria e que, encarnada no teatro, me deu a impressão, que às vezes não vivemos com muita intensidade quando lemos um livro, da possibilidade de tudo aquilo ser real. Aí está a missão do ator de teatro: estar ali, em carne e osso, contando, e mais, vivendo aquela história.
Nossa, cheguei a ficar tão envolvida pela interpretação que deu vontade de levantar a mão e perguntar mais detalhes sobre a vida daquela bahiana, quebrar aquele mono e estabelecer um diálogo. É claro que para isso é preciso se deixar levar, deixar as nuances de luz, som, cenário e figurino entrarem na sua imaginação.
Mas vejam bem, eu também não sou daquelas que se debulha em lágrimas quando o mocinho morre no colo da mocinha, mas respeito e considero algumas interpretações geniais no palco e que acabam fazendo a diferença na maneira de ver, traduzir um texto.
Eu gosto muito dessas manifestações artísticas - teatro, cinema, artes plásticas, pintura, desenho, gravura... - sou figurinha carimbada de exposições, bienais e museus. Sinto uma grande satisfação quando saio destes lugares me sentindo diferente de quando entrei, com a impressão de que nunca mais serei a mesma depois de passar por aquela experiência. Não é tudo que acho o máximo, mas fico admiradíssima com a sutileza e inteligência de algumas obras, são um convite à reflexão, verdadeiras demonstrações de inventividade e de que não há somente uma linguagem possível.

3 comentários:

Biesi disse...

Oii!!
Brigado por ter visitado meu blog!
Vou colocar o link do seu lá ok?
Não concordamos sobre o teatro, mas tudo bem...
:)
Mas vc me proporcionou uma imagem bem legal...
Quando vc disse que o ator está vivendo o personagem, imaginei a Fernanda Torres levando nas coxas como a persona do livro fez com o negão da fazenda...
hihihihihi
abs

fran disse...

Ai fer, acho isso lindo, a amizade com pessoas que pensam de forma oposta à minha. Mesmo pq se não for assim fico sem amigos, quase ninguém pensa como eu (ainda bem que "arrumei" os amigos do Du que são tão chatos qto a gente...). E pelo menos agora, diferente da faculdade onde me sentia tímida e solitária pra fazê-lo, posso expressar minha verdadeira opinião sobre as coisas (virtualmente, afinal no dia-a-dia isso sempre será impossível), sem medo de perder os amigos, pois acho que uma verdadeira amizade transncende as opiniões...

Anônimo disse...

Sair de uma manifestação artística dessas que você citou e daí "nunca mais ser a mesma"??? Nossa... ou você escreveu sem pensar ou está frequentando lugares bem esquisitos heim...